Ao vivo e a cores

Quando não existir mais voz;
Quando não sentir mais cheiro;
Quando não ter o toque;
Talvez você dê valor ao outro.

Quando as memórias forem o que restarem,
E as lágrimas forem parte da sua história;
Quando a culpa for mais forte em teu peito;
Você lembrará que poderia ter dito “perdão”.

Quando as lembranças se esvairem;
Quando nada mais importar;
Quado teu coração for ressentimento;
Você vai querer ter dado o último adeus.

A superficialidade do ser humano Tem se baseado em uma tela,
Tudo resumido em palavras,
Tudo distante,
Tudo criptografado;
Parece que o amor também está criptografado,
Vivê-lo é mais cansativo do que discar algumas letras.

A distância pode corroer a humanidade.
E não!
Não é a distância física,
Mas a emocional,
Aquela que olha nos olhos,
Que sente com você,
Que vive com você.

As vivências têm sido superficiais,
Baseadas no que é registrada
E em quantas curtidas alcança nas redes;
Não se aproveita o ao vivo e a cores,
Mas o “curte, comente e compartilhe”.

Que sejamos mais humanos,
Humanos reais,
Que vivem o agora;
Que perdoam;
Que amam;
Que vivem,
Além de holofotes.

Amanhã poderemos não ter mais aquele alguém;
E, no fim,
só restarão as memórias.

Fotografia: Helena Lopes
@wildlittlethingsphoto

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