Pequena demais para mudar o mundo.

A vida nunca foi fácil pra mim.
Me faltava um referencial em casa. Procurava alguém para contar sobre minhas crises existenciais, e para encontrar o desafio era imenso; parecia que fugiam de mim. Foi quando busquei respostas para todas as minhas dúvidas no meu interior. Mas por falar nisso, relembro todas as indagações que fazia e ainda faço, algumas vezes. Me pegava pensando sobre as pessoas egocêntricas e maldosas, naqueles que não perdem uma chance de denegrir a imagem de alguém, de obter vantagem no sofrimento alheio. Às vezes, pensava que fosse um sentimento de ódio intrínseco na pessoa. Algo enraizado que machado nenhum pudesse cortar.

E em meio às neuroses, percebi que, o meio externo exerce uma influência muito grande sob o caráter de alguém. Como por exemplo, se algum pertence some do nada, é como se houvesse uma programação na mente que afirmasse: “Alguém pegou. Quem será que roubou?”. O que se torna vergonhoso quando encontra tal pertence. E outras vezes que, quando para se sobressair, automaticamente vem aquela famosa “desculpa”. Não seria isso um mal? Será que essas faíscas não indicam que tem um incêndio de maldade por dentro da pessoa? – tenho que achar água então.

Quem poderá conhecer o âmago de alguém? E o meu âmago, eu tenho que conhecer. Não, não posso morrer sem saber se sou uma pessoa má ou boa. – mais uma vez eu estou falando sozinha.

Chegou o desespero.

Mas eu sou feliz com o que sou hoje. Me sinto bem com a forma que costumo agir. Mas eis a questão: me adaptei com o que é ruim? – isso é possível. Mas pensando por outro lado, posso perceber isso com a reação das pessoas. Bom, todos gostam de mim – até onde eu sei. Mas as pessoas mentem, e muitas vezes são superficiais.

Mais uma vez estou entrando em conflitos. Minha mente vai explodir.

Eu não falo mentiras, por mais que sinta vontade de omitir às vezes. Eu não roubo, e jamais faria isso. Eu também ajudo pessoas carentes – sou boa demais e nisso ninguém pode questionar.

Agora, estou sendo orgulhosa. E percebo que me tornei madura por reconhecer isso.

Mas o que seria maldade para as demais pessoas? – é isso… por que não pensei nisso antes?
Maldade é muito relativo e pessoal. O que é ruim para um, pode não ser para outro.

Nossa, fiquei cansada. Pensar cansa.

Pausa para um café…

Então, são tantas hipóteses, tantos dilemas, questões, situações e questionamentos. Chega! Passei minha vida toda fazendo isso. Mas hoje descobri o que devo fazer de verdade. Eu preciso mesmo pensar no bem comum. O que faço deve não somente me favorecer, como também ajudar as demais pessoas.

Isso foi o que restou de mim. Estou vendo beleza onde poucas pessoas enxergam. Sou feliz com coisas simples e de pouco valor para muita gente. Não me deixo sofrer pelo jeito sangrento que muitos levam a vida, e nem me deixo abater pela maldade alheia.

Sinto falta da menina ingênua e boba. Mas sei que essa mulher precisava aparecer. Quem eu era anos atrás não suportaria o que vivo hoje, o que penso hoje, o que amo hoje.

Acalanto por hora; isso basta.

 

Fotografia: Bryan Apen

@apen

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