Ah, pai.

Ah, pai. Em primeiro lugar, gostaria de pedir perdão. Perdão por ser humano. Você, o homem que mesmo depois de morto ainda me ensina somente com suas lembranças. Que me mostrou durante a sua vida o quanto o amor pode mudar alguém, o que um ser humano é capaz de fazer consigo e com os outros por tão nobre sentimento. Perdão por chorar como criança diante das dores e obstáculos que surgem, ou pelas lembranças boas e ruins que tenho da minha vida.

Ah, pai. Como pode a vida, algo tão belo e sutil cometer tantas atrocidades? Nós, meros humanos, pequenos como grãos de areia diante de uma força tão grande. Humanos que riem, choram, cantam, dançam, em momentos mais diferentes possíveis, fazem de grandes obstáculos apenas mais um passo e tremem diante de dificuldades menores que nossos pés.

Ah, pai. O que acontece conosco, que podemos decifrar o maior dos mistérios quando queremos, e ao mesmo tempo nos cegamos as coisas mais visíveis e fáceis de compreender? Temos força para mover montanhas e desviar cursos de rios, mas não conseguimos dar a mão a quem precisa. Viajamos, corremos, mas às vezes falta força para percorrer o caminho curto de ir buscar um simples copo de água.

Ah, pai. Quem diria que construímos casas e costuramos roupas para fugir das forças do tempo e da natureza, mas nos mostramos frágeis a um por do sol. Como podemos ter tantas esperanças em um nascer do sol e ao mesmo tempo perder o sono durante a noite? Podemos reconstruir cidades após furações e trememos de frio com uma leve brisa. Deixamos o mar invadir cidades, assim como deixamos outras não ver água por meses…

Ah, pai. Tudo o que me resta nesse meio tempo que chamamos de vida é ser humano. Viver a vida ouvindo o ritmo, tocando minhas notas e realizando uma sinfonia. Fazer todas essas mágicas que fazemos e deixar de fazer todas as que não fazemos. Ter alegrias e tristezas sem arrependimentos, o que seria ideal. Ah, pai, gostaria de um dia, talvez, poder ser um super herói, ou quem sabe mais, quem sabe, pai.

Fotografia: Danielle MacInnes

@dsmacinnes

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