Para a garota que escrevia.

Te via todos os dias sentada naquele batente esperando a hora passar. Seu cabelo cacheado preso em um coque bonito, mas meio bagunçado.

De vez em quando você parecia olhar detalhes e coisas simples chamavam sua atenção, a faziam dar um ar de riso como uma criança correndo, alguém cumprimentando um amigo, uma pessoa sorrindo, um casal de mãos dadas.

Você estava sempre escrevendo com um caderninho e um lápis (às vezes era uma caneta preta); sua imaginação parecia fértil, e eu gostei de te observar e imaginar o que poderia estar naquelas folhas brancas riscadas com sua caligrafia.

Talvez você falasse sobre simplicidade, memórias, imaginação, a natureza, talvez você contasse histórias ou escrevesse poesias sobre o passado, um futuro desejado, até mesmo o presente pode ter sido tema de suas escritas, coisas que aconteceram e te afligiram, momentos marcantes com amigos e família, enfim, seus aprendizados de mundo poderiam estar em cada entrelinha.

Te admirei por uns meses, descobri seu endereço e te mando essa carta para dizer que independente do conteúdo da sua escrita, você é incrível imaginando e enxergando detalhes despercebidos e insignificantes para outras pessoas, e mesmo se você não escreva nada do que eu disse vou continuar acreditando que ainda há pessoas de alma pura e imaginação fértil e que você é uma delas.

Gratidão, E.M.

Fotografia: Gift Habeshaw

@gift

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