Não sabia o que dizer…

– Oi, planta! Tudo bem borboleta? Bom dia, árvore. Muito obrigada pelo elogio, senhor sapo.

– Ana, entra! Você não pode se atrasar para a aula, não basta o que fez semana passada quando eu tive de ir à escola porque você não queria sair do banheiro.

– Estou indo, mãe. Eu só estava…

– Corre, não estou criando uma filha para ficar falando com coisas que não são de verdade.

– Tchau, eu amo vocês, logo voltarei para lhes contar como foi meu dia.

Ao chegar à escola, seu professor passou uma atividade em grupo, todos estavam incluídos em algo, porém, Ana não tinha companhia para o seu trabalho de matemática. Triste, retorna para casa chorando de forma imperceptível e sutil. Ao chegar no quarteirão, ouve gritos que chegavam com bastante força aos seus sensíveis ouvidos: – Não suporto mais viver nessa casa e ainda por cima, aquela garota vive nos trazendo decepções, arrependo-me de tê-la mantido em meu ventre.

Após ouvir tais palavras da pessoa que Ana mais admirava, foi para os fundos e com a presença do seu querido jardim, passou horas em prantos com a dor que apertava o seu peito, naquele momento ela imaginou que se morresse iria solucionar aquela situação; então, pensou em muitas formas de retirar sua vida. Horas se passaram e Ana adormeceu sob aquele solo escuro e desconfortável.

– Moça, acorde…

– Oi, quem é você?

– Me chamo Luis, sou seu vizinho e sempre ouço quando está conversando com os seus amigos, até tentei fazer isso no meu quintal, mas não me dei muito bem. Levante-se, quero lhe contar algo.

– Pode falar – repondeu Ana mansamente.

– Eu moro sozinho e meus pais morreram quando eu tinha 10 anos, só vivíamos nós três nessa cidade e não tenho parentes próximos. Desde o acontecido, eu vivo sozinho, não tenho amigos na escola que estudo, todos me tratam como o órfão isolado. Porém, eu sou forte mesmo carregando feridas que ninguém sabe.

– Nossa, e eu pensando que levo uma vida difícil – falou com os olhos cheios de lágrimas.

– Ana, você também é forte. Você tem força quando quer chorar e respira fundo para não fazer isso na frente de outras pessoas. Você tem força quando levanta da cama e decide fazer suas obrigações. Você tem força quando sorri para essas plantas, árvores e até esse sapo que muitos repudiam. Você tem força pelo simples fato de buscar uma válvula de escape em alguma coisa.

– Humm… – ficou 30 segundos sem falar uma palavra, a moça muito tagarela não sabia o que dizer. Entretanto, no seu íntimo percebia que existia uma esperança.

– Quanto aos seus pais, não se importe com o que sua mãe falou mais cedo, eu ouvi o que ela disse e lembrei de minha falecida mãe. Certa vez ela me falou algo parecido, mas quando chegou nos últimos suspiros, sussurrou: – Filho, eu não disse aquilo por maldade, estava brava e preocupada com você, te amo e nada irá mudar isso, nem mesmo sua teimosia.

– Obrigada pela sua ajuda, a partir de hoje deixarei de me importar com o que falam e pensam sobre mim. Se eu fosse igual a todo mundo, não teria sentido, eu não seria única.

Após a conversa, um abraço foi o marco de uma linda e verdadeira amizade.

Amigo(a), não importa quantos erros você cometeu, as palavras que você ouviu, as dores que te fizeram sofrer. Você, exclusivamente pode mudar esse rumo. A felicidade está em suas mãos. Você é incrível e ninguém pode fazer isso ser apagado. Acredite, você é capaz e existe alguém no mundo que te tem como referência.

Continue vivendo, fazendo o que te faz feliz e valorizando as pessoas que estão próximas, elas não ficarão para sempre. E quanto a você, ame-se e entenda: ninguém poderá escolher o caminho que você irá andar, isso é decisão sua, completamente.

 

Fotografia: @chadmadden

5 comentários sobre “Não sabia o que dizer…

  1. Any Carolline disse:

    Stefhane,sua linda. Já te vejo dando aulas para crianças! Amei a leitura,simples e ao mesmo tempo tão real. Nossos pais se estressam e falam coisas sem pensar mesmo, e isso as vezes nos machuca de uma maneira que preferimos nos cegar. Nós estamos tão acostumados a seguir rotinas, e viver no automático que as vezes esquecemos o quanto podemos machucar as pessoas com palavras impulsivas.Parabéns, pela crônica! Crônicas são lindas e sempre trazem uma lição de moral. Continue assim, saiba que admiro muito seu jeito!!!

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